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Criada por bombeiros: VIPER, a plataforma chilena que aciona protocolos e mobiliza recursos em emergências

· Por Emol

Capa da matéria do Emol
Opera no Chile, no Brasil e no Equador e se prepara para chegar à Colômbia e ao México este ano.
Fonte: Emol-Economía (em espanhol)

 

Uma emergência pode durar minutos, mas o seu impacto pode se estender por anos, sobretudo depois do recente terremoto na Rússia. E é justamente nesse momento crítico que a VIPER busca fazer a diferença. A empresa chilena, nascida da experiência de dois bombeiros voluntários, tornou-se uma das soluções mais avançadas em gestão de emergências, já operando no Chile, no Brasil e no Equador, com planos de conquistar a Colômbia e o México em 2025. Camilo Salazar, engenheiro civil industrial e ex-bombeiro, é um dos fundadores e atual COO da VIPER. A partir da sua própria experiência em campo, entendeu que não basta ter protocolos escritos: "o segredo está em executar bem", diz. Assim, desenvolveram um software SaaS que orienta e coordena em tempo real a resposta a incidentes, trabalhando hoje com mais de 40 instituições e cobrindo cerca de 80% dos serviços de emergência. Também tiveram um papel fundamental no exercício de evacuação por tsunami no Equador, demonstrando a sua capacidade de operar em cenários reais, complexos e de alto risco. Camilo Salazar conta o início e as projeções da VIPER em uma nova edição do Lo pensó/lo hizo (Pensou/fez), do Emol.

O que é a VIPER e que necessidade ela atende?

A VIPER é uma solução de software do tipo SaaS (Software as a Service) que administra os processos de acionamento, notificação e resposta a emergências e incidentes em empresas, organizações, bombeiros, ambulâncias etc.; em geral, em qualquer cenário em que seja necessário mobilizar recursos para controlar uma emergência ou incidente, evitando que o impacto aumente e protegendo vidas, ativos, infraestrutura e o meio ambiente.

Quando, como e onde surgiu a ideia?

Os dois sócios eram bombeiros, já há 20 anos, e víamos que havia pouca ordem ou controle nas empresas que sofriam uma emergência. Por exemplo, os processos não eram seguidos, as pessoas não sabiam os pontos de encontro ou o que deviam fazer, por mais detalhado que fosse o “plano de emergência” escrito. Pesquisando o mercado americano, vimos que essa solução existia havia uma década: uma plataforma que dava assistência durante a emergência e orientava a resposta de forma planejada e controlada, garantindo que se fizesse tudo o que estava planejado e só o que devia ser feito em cada cenário.

Quem colocou o capital inicial e quem financia vocês hoje?

No início, os sócios colocaram basicamente o seu trabalho e horas de desenvolvimento. Não tivemos financiamento externo, exceto um fundo inicial da Corfo, intermediado pela UDD Ventures há 10 anos, que acabamos não usando 100%. Desde então, crescemos graças à receita dos clientes. Hoje a empresa se financia com as suas vendas, com crescimento estável e EBITDA positivo nos últimos 3 anos.

O seu modelo de negócio:

Software como serviço (plataforma na nuvem multiusuário por assinatura, como a Netflix), voltado apenas a contratos entre empresas (B2B, Business to Business).

O seu público-alvo:

Empresas que gerenciam planos de emergência relativamente complexos ou sensíveis, com vários cenários de risco, ou que, pela sua criticidade, precisam garantir uma proteção elevada de pessoas, ativos ou meio ambiente, como universidades, companhias aéreas, bancos e mineradoras; e empresas ou organizações de assistência, como bombeiros, ambulâncias ou segurança pública, que precisam garantir uma resposta eficaz e eficiente.

Quem é a sua concorrência?

Existem muitas empresas estrangeiras com soluções desse tipo, de grande porte e robustez, mas desenvolvidas para o mercado americano ou europeu. Ou seja, sob normas que não se aplicam na América Latina e com custo elevado. Por isso, a nossa solução não só está em espanhol e é acessível para o mercado latino, como foi feita do zero pensando nesta região do mundo, nos seus processos e na sua cultura.

Três passos-chave que você deu:

1.- Buscar clientes estratégicos de lançamento que nos permitissem ficar conhecidos, além da receita que representavam.

2.- Desde o início, pensar em uma solução transversal, capaz de atender várias empresas e países.

3.- Montar uma equipe sempre alinhada com a receita, para não endividar a empresa e crescer com os nossos próprios recursos, mantendo o controle nas mãos dos donos, sem investidores.

A sua missão (o que você precisa aprender)

Queremos desenvolver mais funcionalidades para atender às necessidades e normas latino-americanas, como requisitos específicos de auditoria de edifícios na Colômbia ou novos processos de verificação legal no México.

O seu propósito (o que você quer alcançar):

Quero que a VIPER seja conhecida na América Latina como referência em segurança e resposta. Se alcançarmos esse reconhecimento e modernizarmos o setor, estaremos salvando vidas todos os dias, e isso é muito gratificante.

Quais são os maiores riscos que a VIPER enfrenta?

Acho que estamos em uma etapa muito sensível: estamos abrindo muitos mercados e corremos o risco de perder o controle da qualidade dos processos de implementação e suporte. Por isso estamos incorporando equipe em três países com esse objetivo, além da equipe comercial que já existe.

Que mercado você pretende conquistar?

México, Colômbia e Brasil. Embora o Brasil não estivesse no nosso plano, nem no de muitos empreendedores chilenos inicialmente, ele entrou naturalmente pelo interesse que empresas brasileiras demonstraram pela solução e pelas oportunidades reais de negócio. Já temos equipe comercial no México e no Brasil e representantes comerciais (distribuidores) na Colômbia, no Equador, no Peru e na Argentina.

Quem você admira?

Admiro as pessoas que lideraram organizações com inovação, integridade e visão de futuro, como as referências atuais Musk, Jobs ou Bezos, mas não esqueço Ford e Frederick Taylor, que lançou as bases da administração científica do trabalho que hoje nos permite os atuais níveis de produtividade e qualidade.

Como você se vê daqui a cinco anos:

Queremos estar posicionados como uma solução líder de mercado, competindo em grandes contas com as marcas americanas e integrando cada vez mais informações entre diferentes organizações para uma resposta e reação eficazes.

Empresa chilena preferida

Sou engenheiro civil industrial com diploma em engenharia hidráulica e entendo os desafios dessa especialidade. Acho que a Crystal Lagoons é um exemplo em que a engenharia, a ciência, a pesquisa e a visão comercial se unem para criar um novo padrão para um produto tão cotidiano quanto uma piscina… Para mim, eles representam a visão transversal de P&D no empreendedorismo e na transformação.

O Chile é um bom país para investir?

Depois de conhecer quase todos os outros países da América Latina, ainda vejo o Chile mais bem posicionado, mas não se pode ignorar que, a cada dia, enfrentamos novas incertezas que afetam os empreendedores. Ao mesmo tempo, vejo outros países, como o Peru e o Brasil, desenvolvendo grandes projetos e transformações.

O Estado é um bom facilitador ou um obstáculo para o seu negócio?

Tivemos altos e baixos nesse aspecto. Abrir uma empresa e começar a vender é muito simples, invejável em comparação com o que enfrentamos em outros países, mas os crescentes entraves de licenças e a perda de flexibilidade nos processos de contratação de pessoal nos deixam em alerta para futuros investimentos.

As suas máximas são:

Inovar com audácia em um setor tão especial quanto a proteção de pessoas. Estamos vendendo segurança, um intangível, em um mercado pouco maduro; imagino que seja como vender extintores na década de 70. Por isso preciso ser muito persistente e trabalhar para convencer que a prevenção é um investimento, e não um gasto, ainda mais quando há vidas humanas em jogo.

Perfil dos fundadores

Sócios da VIPER - Emol

  • - Camilo Salazar de la Fuente é engenheiro civil industrial pela Pontificia Universidad Católica de Chile, mestre em Ciências pela mesma universidade e MBA. Tem 20 anos de experiência em gestão de processos nos setores de varejo e saúde, em empresas como ACHS e Walmart, e diploma em Gestão da Redução do Risco de Desastres. Ex-bombeiro voluntário.
  • - Exequiel Gallardo Pilar é engenheiro aeronáutico pela Universidad Técnica Federico Santa María, com mais de 15 anos de trabalho em empresas de desenvolvimento de software e integrações. Bombeiro voluntário e membro da equipe chilena USAR de resposta internacional.
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Fonte: Emol (em espanhol)


 

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